Networking, experiências memoráveis e visão empreendedora: Conheça a cultura organizacional da RX

Uma das maiores organizadoras de eventos corporativos do mundo aplica o mesmo modelo cultural nos 25 países em que atua

Levantamento da ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), em parceria com a empresa de tecnologia Umanni, destacou que um dos maiores desafios do ano foi o de cultura organizacional (51%). Contudo, os desafios de implementar uma cultura corporativa aderente não se limitam ao cenário brasileiro. Pensando nisso, a RX uma das maiores organizadoras de eventos B2B do mundo aproveitou o rebranding de sua marca global para lançar seu novo código cultural, baseada nos preceitos da Cultura Nimble.

Conversa – Cultura Nimble – Alinne Rosa

2020 foi um ano bem desafiador no setor de eventos.  Cerca de 40% do time precisou ser desligado. Em 2021 nós decidimos identificar qual foi a identidade que permaneceu na cia. A área de comunicação interna fez uma pesquisa global, que por meio dessa pesquisa identificou que o código de cultura deveria ser o Nimble. Que basicamente é um segmento em uma empresa com uma cultura onde você precisa ter contatos (Networked), precisa aceitar pessoas de diferentes perspectivas, histórias, raças, gêneros (Inclusive), ser bastante persistente para sobrepor os desafios (Brave), pensar em criar experiências memoráveis para os clientes e os colaboradores (Magical), e sempre gostar de aprender e fazer melhor no próximo ano (Love of learning), e ter visão empreendedora (Entrepreneurship).

É um tipo de segmento com pegada de startup, mas com uma visão tradicional. Nos 2 últimos anos que a RX se conectou mais com o grupo RELX precisou ainda mais estar conectada a empresa global com uma estrutura de 35 mil funcionários no mundo.
Eu trabalhando para três países diferentes (EUA, Brasil e México), é muito diferente em cada país. Mas, você precisa saber usar qual é a letra do Nimble que é mais importante para a realidade de cada local.

A única que é igual em todos os países é o I (Inclusive). Todos os países tem buscado aceitar as diferenças dentro do ambiente de trabalho. Agora quando falamos na letra E, por exemplo, eu vejo o brasileiro muito mais focado em fazer diferente e provar os seus resultados. Enquanto que o mexicano está fazendo diferente, mas não está preocupado se vai dar certo ou não. Ele quer inovar. Já o norte-americano pensa qual o resultado que ele vai tirar disso para ver se ele vai inovar. Então, é preciso aprender a adaptar a letra de acordo com cada país que você está e o tipo de cultura de cada local. Outra que é igual em todo o mundo é a M, para criar experiências memoráveis. Contudo, o que é memorável para um brasileiro não é o mesmo para um americano. Uma experiência interna, por exemplo: Levar o seu filho para conhecer o seu local de trabalho.  No Brasil não é apenas conhecer o lugar, mas passar o dia lá, vivenciando. Já o americano quer apenas mostrar onde trabalha e depois levar seu filho embora. O que é legal é que todo mundo de alguma maneira se conecta com esse código cultural, mas de maneiras diferentes. O latino-americano ele faz o networking sem se importar se a relação com a pessoa vai trazer algum resultado ou benefício no futuro. O americano fala com a pessoa pensando de que forma isso vai beneficiar ele, porque eles têm uma cultura mais centrada no individual.

O L na cultura americana é mais focada em estudar coisas relacionadas ao próprio cargo delas, para ter excelência no que faz e ser promovido. Já no Brasil as pessoas estudam coisas que ainda não sabe, para estarem preparadas e chegarem lá na frente dos que ainda não se prepararam. Na América Latina vejo muito mais colaboradores estudando skills de cargos de liderança do que em outras regiões. E isso seja talvez pela competitividade do mercado, pois se você não está andando a frente, alguém pode passar você. No I na América Latina temos um lado mais emocional, queremos ver e interagir com as pessoas. Já nos outros lugares é mais racional, ou seja, quantos % contrataram de inclusão. Mas, isso é algo muito fluido. Os projetos não são necessariamente focados em uma ou outra letra.

Estou há pouco mais de 7 anos na empresa. E a empresa que eu encontrei em 2017 era de uma liderança que falava o que você tinha de fazer e você precisava entregar. Ao longo dos anos nós começamos a tentar inverter. Fazendo com que a liderança começasse a escutar mais que trabalhava na equipe, pois quem trabalha no dia a dia conhece os problemas e as soluções. Mas, enquanto não perceber que o líder está aberto a escutar essa opinião as pessoas ficavam caladas. Foi uma longa caminhada para que se criasse um ambiente seguro para que os colaboradores pudessem opinar e serem ouvidos. Em 2024 lançamos um projeto novo a nível RELX em que todas as pessoas são líderes. Pois num evento as pessoas precisam gerenciar e coordenar outras diversas pessoas como os prestadores de serviço contratados, pessoas da limpeza, segurança, etc. Ainda é um conceito embrionário. No momento estamos orientando as lideranças para que elas sejam um facilitador desse processo, permitindo que seu funcionário trabalhe para outra equipe. Sendo talvez transferido para outra empresa do grupo, e talvez até deixe a empresa. No Brasil vamos ter um treinamento com os gestores locais chamado Manager Corp, em que vamos trabalhar toda a jornada dos colaboradores, o que é esperado da liderança.

Existem 2 tipos de premiação. O Nimble Champion que é uma premiação regional, realizada 6x por ano, com o objetivo de pares que reconheçam seus colegas de trabalho, a partir de quantos atributos Nimble essa pessao tenha apresentado no dia a dia. Dentro de EUA, México e Brasil qualquer colaborador pode entrar e sugerir um colega, pedindo para que ele descreve quais as atitudes Nimble a pessoa indicada tem. Quantos mais atributos e força de evidencia o indicado tem, mais chances ela tem de ganhar a disputa do bimestre. Se temos um empate o critério do desempate é quantas vezes essa pessoa já foi indicada. Elegemos 1 ganhador por país (México, Brasil e EUA). Uma vez por ano fazemos o Nimble Champion Américas, em que pegamos todos os ganhadores dos 3 países e enviamos para os lideres regionais que escolhem quem é ganhado Américas. Existe uma premiação financeira, e o ganhado Américas recebe o dobro da premiação que ele ganhou quando ganhou no seu país. Outro prêmio que temos é o Nimble Awards, que é da RX Global. Ele é coordenado por Londres, acontecendo em maio e novembro, tendo o mesmo apelo de avaliar os atributos Nimble, mas é organizado por um comitê global, sendo a premiação em dólar e podendo chegar à US$ 4 mil. Nesse temos prêmios de equipes e individuais.

Durante a pandemia a Reed perdeu suas lideranças globais de RH, e a Natalie de comunicação interna trabalhando nesse projeto de reconstrução da marca pensou que não poderia construir o branding sem entender o atual DNA da marca. E através da pesquisa do que seria uma marca moderna, bacana, que as pessoas se sintam inspiradas em fazer parte apareceram os atributos da Cultura Nimble.